quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Encontro da Luta Antimanicomial 2009

IX Encontro Nacional de Usuários e Familiares da Luta Antimanicomial
VIII Encontro Nacional da Luta Antimanicomial
Reforma Psiquiátrica: a revolução na comunidade!

É hora de afirmar!
De 26 a 29 de Novembro de 2009
São Bernardo do Campo
Região do Grande ABCDMRR - SP
Inscrições:http://www.osdevoltaparacasa.org.br/
Informações:http://br.mc343.mail.yahoo.com/mc/compose?to=osdevoltaparacasa@uol.com.br
Tel.: 11 4455-0825
Aviso aos Núcleos da Luta Antimanicomial: ainda há vagas subsidiadas para alimentação e hospedagem!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Professor é...

Isso de ser professor é mesmo muito interessante. Não apenas pelas boas interpretações e intervenções que os alunos podem fazer -e eles as fazem- mas também pelas pérolas que nos revelam. Li esses dias em um dos relatórios de estágios de meus alunos, depois de contextualizarem a instituição onde eles estavam indo fazer sua intervenção (um ambulatório infantil), escreveram:
"Achamos o lugar muito bonito, mas nos surpreendeu a total falta de autoritarismo dos profissionais com as crianças, elas faziam o que queriam!"
Ainda não pude perguntar para minhas alunas o que exatamente eles entendem por "falta de autoritarismo", mas cá estou eu imaginando o que minhas queridas estagiárias fariam no lugar dos técnicos desse ambulatório. Ou será apenas uma questão mal interpretada do uso da "autoridade"? Veremos.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cidinha da Silva estréia na literatura infanto-juvenil e apresenta sua obra em São Paulo!


A escritora mineira, Cidinha da Silva prepara o lançamento de mais um livro: Os nove pentes d’África. Desta vez, a autora direciona sua criação, a quarta, ao público infantil e juvenil. A publicação será apresentada, pela primeira vez no país, em noite de autógrafos na tradicional Feira do Livro de Porto Alegre, em sua 55ª edição.

Com um texto pautado pela emoção, em que a prosa a cada linha é pura poesia, a mais recente obra literária de Cidinha da Silva terá, com certeza, leitura disputada pelos adultos. A história construída em 56 páginas, com ilustração da atriz e artista plástica Iléa Ferraz, é lançamento da Mazza Edições, editora de Belo Horizonte, Minas Gerais.

A micro apresentação de seu novo livro, Cidinha da Silva expressa que Os nove pentes d'África" tecem um bordado de poesia e surpresa na tela de uma família negra brasileira. Os pentes herdados pelos nove netos de Francisco Ayrá, personagem condutor, são a pedra de toque para abordar a pulsão de vida presente nas experiências das personagens e rituais cotidianos da narrativa.

O livro de Cidinha da Silva cativa pela descrição minuciosa do universo das relações familiares, pela reverência à sabedoria dos mais velhos e à ancestralidade africana. A motivação criadora, segundo Cidinha da Silva, veio de casa, dos pequenos da família “e em especial, de uma sobrinha que, aos seis anos, em processo de alfabetização, soletrava as letras do Tridente - referência ao seu segundo livro Cada Tridente em seu lugar” -. Aquilo me comovia e angustiava. Expliquei que se tratava de um livro para adultos, por isso as letras eram pequenas e daí sua dificuldade para ler. Ela então me perguntou: “- Tia quando você vai escrever livros para crianças?”.

Era a senha que faltava para a escritora mergulhar nesse novo processo criativo. Ela está fascinada pela experiência. “Creio que farei este caminho por algum tempo. Estou determinada a ser lida pelos pequenos da minha casa, enquanto são pequenos, e fico felicíssima quando minhas sobrinhas e irmãos levam meus livros para a biblioteca da escola em que estudam, ou quando encontram meus livros por lá e vêm me contar. É delicioso sentir que eles têm orgulho de mim e agora poderão ler minha literatura sem esforço, apenas por prazer”.

Outras publicações da autora – “Ações afirmativas em educação: experiências brasileiras”, de 2003, um livro de ensaios organizado por Cidinha da Silva com a parceria de sete outros autores e autoras. “Cada tridente em seu lugar”, já em segunda edição (2006/2007), é o primeiro livro de ficção. Em 2008, Cidinha da Silva publicou “Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor”, um conjunto de 26 textos, entre crônicas e mini-contos, que gira em torno das afetividades, da sexualidade, do amor e do corpo.

Serviço

O que é: Lançamento do livro de Cidinha da Silva: Os nove pentes d´Áfric

Quando: 21/11/09

Horário: 20:00

Onde: ODUN Formação e Produção - Rua Jardim Francisco Marcos, N.180, Bela Vista
Informações: (11) 31057247


domingo, 15 de novembro de 2009

Pixo

Um filme de João Weiner e Roberto Oliveira

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Vai ser em Sampa também!

O novo livro de Cidinha da Silva estará sendo lançado em São Paulo em breve. Os nove pentes d'África (ed. Mazza) estará com a autora dia 21/11, às 20:00, na Odun - Formação e Produção e dia 23/11, às 19:00, na Casa das Áfricas. Em breve mais notícias!
"Cidinha da Silva é uma amiga minha que escreve como quem trança ou destrança cabelos e nos presenteia com pentes presentes cheios de passado que nos ajudam a destrinçar o futuro. Seus pentes são pontes de compreensão entre o que somos nós negros brasileiros agora, nossos avós recentes e os tais ancestrais africanos. E pontes entre nós e nossos filhos e sobrinhos, os que vêm depois de nós. Compreensão aqui que eu digo é aquele entendimento afetuoso, apaixonado até e cheio de compaixão no sentido de gratidão pelo que se é. Pelo que nós somos: família, solidariedade e contradição na difícil tarefa de encontrarmos, cada um, nosso papel de levar adiante a história coletiva e ao mesmo tempo afirmar o traço intransferivelmente pessoal do indivíduo. Estar com a mãe e nascer, ser da famíla e ir embora, constituir a sua própria (que ainda é a mesma). É aí que mora o penteado: saber qual é o pente que te penteia. Para os mais jovens, a quem se destina a princípio este livro, mas também para os nem tão jovens assim são generosas as pistas sopradas ao nosso ouvido por essa contadora de história. Escutadora atenta, agora vem a griot nos atentar doce e profundamente. Vem aqui nos alentar deschavandos e nos ajudando a achar laços nesse desconchavado mundo. Vem reforçar nossas ligações básicas, comunitárias, domésticas. É tão certeiro e tão bem-vindo esse livro que lê-lo me encheu de orgulho e admiração. Pelo tema e pela forma. Sei que os próximos leitores de "Pentes" sentir-se-ão gratos a Cidinha da Silva, como eu". (Chico César, compositor).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

De São José

Aconteceu numa das tardes que caminhava pelo centro da cidade. Tenho uma "janela" logo após o almoço e costumo caminhar pelas ruas de São José dos Campos que me são mais acessíveis para conhecer melhor a cidade onde trabalho. O centro, seja de qual cidade for, sempre me interessa. Alí sempre está concentrada uma espécie de democracia direta, é o lugar que reúne a diversidade e que revela bem a cidade a qual pertence. O centro precisa conviver com a diferença, ele é a convergência, a aglutinação da diversidade por excelência. Enfim, adoro o centro! O de São José revela essa particularidade também. Simultaneamente é o típico interior paulista com um tanto da metrópole, da conversa tranqüila do caipira e do passo acelerado dos comerciantes. A principal praça do centro de São José é a Afonso Pena. Bem cuidada e arborizada, possui uma fonte central, é cercada por algumas lojas de armarinhos, móveis e eletrodomésticos, agências bancárias, um restaurante, uma escola, um distrito policial, algumas bancas de jornal e livros usados, barraquinhas de lanches a preços populares e parte do Banhado, principal cartão postal da cidade de onde se pode ver o pôr do sol. Os tipos que a habitam também são bem ecléticos e são esses que me interessam mais. Estão por alí no horário comercial, inúmeros trabalhadores do comércio, estudantes, donas de casa, senhores com chapéu de palha e trabalhadoras do sexo. Realmente me chamou atenção essa atividade por lá, mas é isso mesmo. Estão em um dos cantos da praça as crianças brincando no chafariz, no outro os idosos papeando e jogam baralho, e em outra parte, as trabalhadoras do sexo que oferecem seus serviços para que estiver interessado. Muito tranquilas, discretas e educadas, permanecem sentadas na mureta do jardim, ou em pé, sozinhas, em dupla ou trio, esperando a abordagem dos clientes. Como disse, numa tarde dessas caminhando pelo centro, depois de comprar um sorvete, resolvi sentar num dos bancos próximo as meninas para pensar sobre os problemas da existência que afligiam minha alma naquele momento. Não me dei conta quando uma delas sentou no mesmo banco que eu. Não disse nada. Nem ela. Passados alguns segundos ela me fala:

-Vamos?
-Obrigado, mas acho que não.
Alguns segundos depois pergunto:
-E quanto é?
-40, mais 10 do hotel.
-E você fica sempre aqui?
-Todos os dias, de segunda a sexta, das 9:00 às 18:00.
-Horário comercial mesmo. Não trabalha a noite?
-Não, tenho que cuidar da casa, então só de dia.
-Entendi.

Ela se dando conta que alí não tinha cliente também não disse mais nada. Ainda assim me tratou com simpatia e permaneceu sentada olhando as crianças brincando. Terminei meu sorvete, me despedi com um "até logo" e um aceno de mão e voltei a caminhar em direção a meu trabalho.
Vim a saber depois por uma de minhas alunas, joseense nativa de quase trinta anos, que a praça é ponto dessas trabalhadoras antes mesmo dela nascer. Interessante, não? Fico intrigado para entender melhor dessa convivencia entre tantos tipos distintos numa cidade como São José. Talvez, como disse antes, seja a beleza e o encantamento das diferenças do centro que permita essa aglomeração de identidades tão múltiplas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Após o Zapatismo